Emigração vs Imigração

Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Emigração & Imigração: Portugal entre Povos [Cartaz]

Emigração & Imigração: Portugal entre Povos [Vídeo]

Emigração para Angola: o outro lado do El Dorado

Por Joana Gorjão Henriques
04.02.2012 – 23:03

Só um dos entrevistados aceitou dar a cara. A maioria diz que em Angola “não há liberdade de expressão” (Foto: Gianluigi Guercia/AFP)
Uma nova vaga emigratória escolhe Angola como destino. É incentivada pelo Governo a fugir da crise em Portugal. Faz o percurso inverso dos que partiram nos anos 1960, chegando a um país onde a liberdade de expressão é limitada, a corrupção é endémica e as opiniões políticas ficam dentro de casa.

Há quem tenha visto o El Dorado, mas sublinhe que a vida em Angola está longe de ser o retrato cor-de-rosa que alguns pintam.
Das dezenas de horas de conversas que tivemos ao longo dos últimos quatro meses publicamos sete histórias de portugueses que trabalham ou trabalharam num país em construção. É uma parte da fotografia que não chega à praça pública, não é a preto-e-branco e implica tomar decisões nem sempre óbvias.

Da amostra de trabalhadores em diversas áreas – construção, consultoria, engenharia, ambiente ou advocacia – apenas um, apoiante do regime, não se importou de revelar a identidade. Aos outros, por razões de segurança, omitimos o nome. Porque em Angola “não há liberdade de expressão”, diz a maioria. E o medo de retaliação ainda é grande. O PÚBLICO conta a emigração em Angola pelo discurso directo de quem a conhece.

Nota

Luso-africanos em Portugal:nas margens da etnicidade

Ao contrário do que é comum pensar-se, a actual presença africana em Portugal não se reduz aos imigrantes, mas engloba outras categorias sociais que aqui se propõe designar por luso-africanos. Essa designação engloba duas situações principais. Uma, mais antiga, é a dos africanos de nacionalidade portuguesa, de condição social média ou elevada e muitas vezes racialmente mistos, que optaram por se fixar em Portugal na sequência da descolonização. Outra, que se começa agora a configurar, é a dos filhos dos imigrantes que já nasceram e/ou cresceram em Portugal. Embora diferentes entre si, estas duas categorias têm, pelo menos, em comum aquilo que as diferencia dos imigrantes propriamente ditos: o grau de fixação na sociedade portuguesa e a ausência de um projecto de regresso aos países de origem. Tanto uns como outros se têm mantido à margem da crescente politização da etnicidade em Portugal. Mas, sobretudo se os contrastes sociais e culturais do conjunto das comunidades africanas com a população portuguesa, já hoje muito elevados na maioria dos casos, aumentar  em significativamente, isso poderá alterar-se a breve prazo.

Portugueses vs. Portugal

João Marques de Almeida

 Diário Económico, 2|Maio|2011

 

1. A emigração de portugueses está a aumentar. Aparentemente, é a maior vaga desde os anos de 1960.

Mas com uma diferença importante: no passado emigraram os mais pobres e com menor educação. Hoje, emigram os licenciados e os que estão preparados para enfrentar outros mercados de trabalho. A emigração miserável deu lugar à emigração qualificada. Há um lado triste e lamentável. Para alcançarem uma situação profissional que corresponda às expectativas geradas pela sua formação, muitos jovens portugueses são obrigados a emigrar. Não deixa de ser um sinal do falhanço do país.

Há, no entanto, um lado positivo. Se quiserem e se esforçarem, os portugueses conseguem preparar-se para triunfarem em qualquer país, quer nas universidades quer nas empresas locais. Estas gerações que arriscam, que não temem o futuro e que vencem mantém a esperança no nosso país. O sucesso dos novos emigrantes portugueses mostra uma grande diferença entre o Portugal do pré-25 de Abril e o Portugal do pós-25 de Abril. Apesar de todos os problemas, o nosso país dá hoje mais oportunidades aos seus cidadãos e aos seus jovens. Também por isso, valeu a pena o que aconteceu há 37 anos.

2. Nas celebrações do 25 de Abril, os “Presidentes ” apelaram à conclusão de consensos, de grandes coligações políticas e de acordos de regime. Infelizmente, mais uma vez, privilegiou-se a forma e esqueceu-se a substância. Ninguém explicou por que razão os modelos, as estratégias e políticas de desenvolvimento económico adoptados nas últimas três décadas falharam. Para sairmos da crise, é essencial conhecer os erros cometidos e assumir que não se voltará a repeti-los. E críticas genéricas aos “partidos políticos” e aos “mercados” são absolutamente inúteis. O que precisamos de ouvir é o seguinte. Quais são as reformas que o país precisa e por que razão só uma grande maioria as conseguirá fazer. Não ouvimos isto no dia 25 de Abril.

3. A reforma do Estado será uma das tarefas fundamentais. O Tratado de Maastricht foi assinado há vinte anos e o Estado português ainda não se reformou para cumprir as obrigações decorrentes do compromisso assumido com os seus parceiros europeus. Portugal está há mais de uma década no Euro, mas continua a ter um “Estado pré-Euro”. O Estado português não está organizado de modo a poder cumprir os critérios fiscais e orçamentais da zona Euro. Enquanto não se reformar, não há PEC que sirva para alguma coisa.

4. Como se verá quando a “troika” apresentar o seu programa, uma das prioridades será precisamente a reforma do Estado. E a manutenção de Portugal na zona Euro dependerá da capacidade de, finalmente, se “europeizar” o Estado português. Mas não basta que nos digam para o fazer. É preciso saber porque não foi feito durante a última década e meia e o que é preciso mudar para o fazer. Se o Estado deixar de ser parte do problema e passar a contribuir para o crescimento da economia do país, as futuras gerações de portugueses não terão de emigrar para alcançarem as suas aspirações. Teremos então um verdadeiro “Estado social”, capaz de apoiar a prosperidade dos portugueses.


Nuvem de etiquetas