Emigração vs Imigração

Portugueses vs. Portugal

João Marques de Almeida

 Diário Económico, 2|Maio|2011

 

1. A emigração de portugueses está a aumentar. Aparentemente, é a maior vaga desde os anos de 1960.

Mas com uma diferença importante: no passado emigraram os mais pobres e com menor educação. Hoje, emigram os licenciados e os que estão preparados para enfrentar outros mercados de trabalho. A emigração miserável deu lugar à emigração qualificada. Há um lado triste e lamentável. Para alcançarem uma situação profissional que corresponda às expectativas geradas pela sua formação, muitos jovens portugueses são obrigados a emigrar. Não deixa de ser um sinal do falhanço do país.

Há, no entanto, um lado positivo. Se quiserem e se esforçarem, os portugueses conseguem preparar-se para triunfarem em qualquer país, quer nas universidades quer nas empresas locais. Estas gerações que arriscam, que não temem o futuro e que vencem mantém a esperança no nosso país. O sucesso dos novos emigrantes portugueses mostra uma grande diferença entre o Portugal do pré-25 de Abril e o Portugal do pós-25 de Abril. Apesar de todos os problemas, o nosso país dá hoje mais oportunidades aos seus cidadãos e aos seus jovens. Também por isso, valeu a pena o que aconteceu há 37 anos.

2. Nas celebrações do 25 de Abril, os “Presidentes ” apelaram à conclusão de consensos, de grandes coligações políticas e de acordos de regime. Infelizmente, mais uma vez, privilegiou-se a forma e esqueceu-se a substância. Ninguém explicou por que razão os modelos, as estratégias e políticas de desenvolvimento económico adoptados nas últimas três décadas falharam. Para sairmos da crise, é essencial conhecer os erros cometidos e assumir que não se voltará a repeti-los. E críticas genéricas aos “partidos políticos” e aos “mercados” são absolutamente inúteis. O que precisamos de ouvir é o seguinte. Quais são as reformas que o país precisa e por que razão só uma grande maioria as conseguirá fazer. Não ouvimos isto no dia 25 de Abril.

3. A reforma do Estado será uma das tarefas fundamentais. O Tratado de Maastricht foi assinado há vinte anos e o Estado português ainda não se reformou para cumprir as obrigações decorrentes do compromisso assumido com os seus parceiros europeus. Portugal está há mais de uma década no Euro, mas continua a ter um “Estado pré-Euro”. O Estado português não está organizado de modo a poder cumprir os critérios fiscais e orçamentais da zona Euro. Enquanto não se reformar, não há PEC que sirva para alguma coisa.

4. Como se verá quando a “troika” apresentar o seu programa, uma das prioridades será precisamente a reforma do Estado. E a manutenção de Portugal na zona Euro dependerá da capacidade de, finalmente, se “europeizar” o Estado português. Mas não basta que nos digam para o fazer. É preciso saber porque não foi feito durante a última década e meia e o que é preciso mudar para o fazer. Se o Estado deixar de ser parte do problema e passar a contribuir para o crescimento da economia do país, as futuras gerações de portugueses não terão de emigrar para alcançarem as suas aspirações. Teremos então um verdadeiro “Estado social”, capaz de apoiar a prosperidade dos portugueses.


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